filomena grita!

by tv rural

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Nuno Bentes
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Nuno Bentes Epá!

Que coisa tão boa é este álbum!

Que bons momentos passamos a ouvir isto!

Obrigado! Abraço grande Miguel e Família Bentes Favorite track: navegadores de recreio.
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about

Catadupa! (2007)

credits

released December 31, 2007

Produzido por tv rural.
Gravado em 2006 por Ricardo Jacinto e Gonçalo Ferreira nos estúdios: Deita b (Lisboa), Estúdio 65 (Oeiras) e Estúdio On Air (Lisboa)..
Misturado e Masterizado por Renato Quaresma e Gonçalo Ferreira no Estúdio On Air (Lisboa).

Os temas "Assunto sério", "Viagens de carro" e "Eu no muro" foram gravados ao vivo no estúdio Armazém42 em Janeiro de 2007 para os "Concertos de Bolso" da Antena3. Gravado e Misturado por João Eleutério.

Todas as letras e músicas por tv rural, excepto "Piano" (letra de Joana Vaz) e "Assunto sério" (letra de Mª João Marques).

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Track Name: o animal que há em nós
O animal que há em nós

Dessas ceias de pessoas feias...
retenho a tua cara de asno,
a rir que nem um porco,
a comer que nem um abutre,
e babavas-te que nem um camelo,
enquanto te metias com a vaca ao teu lado.
essa cadela.
Qual camaleão mimetizando um pouco de todos, comia-vos a todos.

e os javardos, felizes e contentes
que nem babuínos excitados a espumar da boca...
nem mesmo as gralhas aguentaram o pavoneio dessa pega rabuda
foram-se embora
e vocês façam o ninho bem longe de mim

nem quero ver.
meto-me já na minha toca, escondo-me na toca

foge que o animal está à solta... dentro de nós... à solta.
Track Name: mar
Mar

mar...
cheira a mar
mar...
quero o mar
e se as costas me doem
é porque daqui não vejo peixe no mar
daqui não vejo o mar
tanto mar
mar...

sinto o vento a vir
e no mar crescem ondas ...grandes ondas
sinto o vento a vir
o vento a vir do mar

no outro dia,
do mar já não vem nada
é que aqui não se passa nada

e “mar”
já não me diz nada.
Track Name: navegadores de recreio
Navegadores de recreio

tu pá... põe-te na alheta
pode ser na de bombordo que eu não me importo

tu pá... sai-me da frente do vento,
não vês que eu quero navegar
aliás, a gente quer navegar
aliás, todos queremos navegar
então sai-me da frente do vento

o que a gente quer
o que a gente quer é
o que a gente quer é que esta barca siga
que a barca siga...

cantamos os sons de lá para cá
e de cá para lá... cala-te boca

e ia lá
não fosse o leme estar partido e o vento levar-nos conforme quer
deixa lá o que não falta é tempo
e o tempo tanto vento que tempo tem

e com as ondas, as nossa ondas...
e com as ondas, as nossa ondas...

chegámos a bom porto!

levas com o remo na tromba
dou-te a comer aos tubarões
levas com o remo na tromba
dou-te a provar aos tubarões

naufragámos numa ilha deserta
nunca mais daqui sais
diz adeus à estrela do Norte
aqui há dois sóis
esquece as aguas calmas
ficamos por aqui
Track Name: sagres
"Sagres"

o nevoeiro que trago na cabeça
vem cá para fora em forma de bola

cada uma mais espessa que a outra

dizem que é do fumo do tabaco que fumo
mas eu acho que é do fumo do mundo a arder
não do fumo do tabaco que fumo
é mais do fumo do mundo a arder
do perfume do mundo a arder

contudo há sempre a hipótese de se tratar de um curto circuito

dizem que se dispersa como vento Norte
mas eu sinto-o a abraçar e não me quer largar
pelos vistos não me quer largar
nem com o vento do norte se dispersa

o mundo acaba aqui
onde a água dura em pedra dura
tanto bate até que cura

cura-me o ânimo
Track Name: escafandro
"Escafandro"

Caminhei pela ribeira do lixo
Até que toquei no lodo macio
Caminhei pela ribeira do lixo
Avancei no lodo macio

Agasalhado pelo calor da certeza do escafandro umbilical
Desbravando a floresta dos detritos
Encontrei um canavial

E assim encalhado num bar
Diante dum copo vazio
Conversando com rãs
Falei-lhes do lodo macio e de como passeei com o escafandro que me deste

Agasalhado pelo calor da certeza do conforto umbilical
Resgataste-me da floresta dos detritos
O teu pescoço é o meu anzol

Passeei com o escafandro que deste
Passeei com o escafandro que deste
Track Name: agosto
"Agosto"

ó preguiça
teimosa preguiça
pendurada dum galho
a preguiçar
esparramada num galho
a preguiçar
a preguiçar preciso de ar e...
viver uns anos na província
ó preguiça
teimosa província
teimosa preguiça

pendurada dum galho, sofá
esparramada num galho, sofá

a praia é montra, é feira, é fogo.
de resto tudo é nítido demais

sofá

longe do ego, longe das saias
e dessa maldita selva
esquece o tempo
o tempo aquece
(deixar tudo para a última da hora)
Track Name: piano
"Piano"

Ela mordia o piano
que a tentava comer de noite
e rolava na cama
para não ter amanhã o dia de ontem

e a desconstruir cidades no motor que a leva às costas
leva também outras tantas
caras de caso

ele mordia o comboio
que o fazia correr à noite
e rolava na cama para não ter de amanhar o dia de amanhã

e a deambular na cidade
no rumor matinal das máquinas
ela entre as caras e ele entre as gentes
caras de caso
Track Name: tens tempo
"Tens tempo"

Só eu sei como me sinto
sinto-me bem aqui contigo

ninguém disse que ia ser fácil
já sabias que ia doer
e se a alguém parece fácil
logo irá saber
que enquanto suavas na cama à noite
pensavas na tua vida à noite

mais tarde ou mais cedo
tinhas de olhar para ti
foi tarde e alguém teve de olhar por ti

vais ver que ainda tens tempo para muito
resta saber até que ponto estás disposto
a mudar os teus hábitos à noite
ai a noite...

mais tarde ou mais cedo
tinhas de olhar para ti
foi tarde e alguém teve de olhar por ti

foram dias a soro
e quando há males que vêem por bem
são dias a soro, muitos dias a soro

tens a chave da tua morte mas nem sequer estás às portas da morte
Track Name: assunto sério
"Assunto Sério"

Senta aí, bebe outro copo
Temos muito para falar
Esquece as horas desta hora
E em falar da demora
Que transportas no olhar

Chega aqui, puxa a cadeira
Não passou tempo nenhum
Eu não tenho feito nada
Tu ris-te e achas piada

Sei de cor e devagar o teu corpo
As tuas falhas, essas linhas, as muralhas
Que eu trepava e num instante
Te oferecia o meu domingo
Como se fosse importante

Moro do outro lado do mundo
Tu vieste nem sei de onde
Do lado morto da luta
Sem bandeira ou poesia
Nem sei como começou

Agora é fogo, agora é mar o teu corpo
Essa memória, o sorriso, a velha história
Que eu cuidava e num instante
Te oferecia o meu domingo
Como se fosse importante

Estamos perto, e de repente
Tenho o corpo em alvoroço
Dizes: "está mas é calado,
Não há nada para falar"

Agora é fogo, agora é mar o teu corpo
Essa memória, o sorriso, a velha história
Que eu cuidava e num instante
Te oferecia o meu domingo
Como se fosse importante
Track Name: viagens de carro
"Viagens de Carro"

sobre a incapacidade para organizar o tempo que tenho
sinto-me com autoridade para discutir o assunto

mas prefiro dormir sobre o assunto
prefiro dormir...

todas as noites, imagino conversas comigo
todas as noites, falamos de tudo um pouco
todas as noites, e ainda bem que é só comigo
todas as noites, há coisas que resolvo sozinho

depois há as viagens, as viagens de carro
os esporos dispersam, nas viagens de carro
cresce-me musgo, nas viagens de carro
atrás das orelhas

sobre o nervoso miudinho que me faz querer sair daqui
até tenho vontade de discutir o assunto

mas prefiro dormir sobre o assunto
prefiro dormir...

todas as noites, sorrio com medo àqueles
todas as noites, que me topam há já algum tempo
topam-te bem, mas mantêm-se ao longe
topam-te bem, fizeram a escolas juntos

depois há as viagens, as viagens de carro
os esporos dispersam, nas viagens de carro
cresce-me musgo, nas viagens de carro
atrás das orelhas

A floresta na minha cabeça, invade-me o peito
e mergulha fundo, no fundo do meu umbigo
cuspo bolas de pêlo
e limpo a boca com as costas das mãos

e depois... há as viagens, as viagens de carro...
Track Name: eu no muro
"Eu no Muro"

Agora vou-me levantar, vestir, comer e pôr-me a andar
que já se faz tarde, muito tarde, são três da tarde.

...E eu para aqui a sonhar com dois bois...

já se faz tarde, muito tarde

...ainda agora era dia e caiu a noite...

eu vi um traço no muro
eu vi um traço no muro
eu vi...

deixei-me ficar, para ver onde é que isto ia dar,
e não vai longe, tal como eu não vou longe,

...e pensar no que fomos os dois...

não vou longe, nada longe,

...vou esquecer os tais planos para depois...

entrei para dentro do muro
entrei para dentro do muro
e lá fiquei...

emparedado no tempo
a ser comido por dentro.